Notícias

Primeiro discurso do novo Secretário condena enunciado politicamente correto e clama por aproximação entre policiais e cidadãos de bem

 

O auditório Mauro Borges do Palácio Pedro Ludovico Teixeira recebeu na tarde de ontem, 15, a cerimônia de posse do novo Secretário de Segurança Pública, Dr Irapuan Costa Júnior. Com auditório em capacidade acima da média de acomodação, presença de diversas autoridades, oficiais e imprensa, a ocasião foi marcada por ritos e discursos memoráveis. O Governo de Goiás valorizou a trajetória das duas personalidades, falou do desafio e conquistas desta pasta. Estiveram presentes acompanhando de perto a solenidade, o Coronel QOSPM Waldemar Naves do Amaral e Dr Jonatas Silva, ambos Conselheiros da Fundação Tiradentes, e o Tenente-Coronel PM Cleber Aparecido Santos, Diretor Presidente da instituição.

Em seu discurso de despedida, o até então Secretário Prof Ricardo Balestreri, agradeceu pelo seu tempo de dedicação a todas as frentes da secretaria, citou os resultados alcançados e o incentivo na modernização do sistema prisional neste quase um ano de serviço, sem deixar de mencionar o apoio de quem contribuiu com o desafio. Homenageou a equipe e tomou posse como Secretário-Chefe do Gabinete de Assuntos Estratégicos.

No início de seu discurso, Dr Irapuan cumprimentou seus antigos companheiros de Governo, oficiais da polícia militar e bombeiros, amigos e familiares, autoridades, e demais público presente. O grande destaque ficou a cargo da fala enérgica e valorosa do atual secretário, que está em sua íntegra a seguir:

Não poucos amigos inundaram sobre as razões de abandonar nesta etapa da vida o conforto do ócio com dignidade para gozar dos custos de uma tarefa dura. A resposta reside primeiramente na confiança que eu deposito nestes dois dirigentes competentes e modernos que são o Governador Marconi Perillo e o Vice-Governador José Eliton. Se me blindam com a sua confiança, não posso contestar senão com confiança, e ombrear com eles em tarefas muitas. Soma-se a isso o reconhecimento pelo que fazem a amizade. Ainda a consciência de que temos todos que colaborar até onde seja possível para que vença o bom, o belo e verdadeiro. Estamos convictos que devemos fazer nossa parte. O enfrentar os males que ameaçam o poder presente, a sociedade goiana e brasileira. Goiás em termos de segurança não pode se tornar um Rio de Janeiro. Como não pode o Brasil converter-se em uma Venezuela, esta nação irmã que vive seus piores momentos. Procurei me inteirar nestes dias sobre a pasta de Segurança Pública do Estado. Fui agradavelmente surpreendido pelo trabalho realizado e pela estrutura implantada pelos secretários anteriores em uma frente para quem inspira José Eliton e Ricardo Balestreri a quem eu cumprimento. Dar-me-ei por satisfeito se puder dar continuidade a esse trabalho e melhorar ainda nesta mesma senda nossa segurança. E se puder aproximar ao máximo o policial e o cidadão. Na trindade que divide o meio social, o cidadão, o policial e o malfeitor, só um caminho de nos unirmos da maneira mais estreita possível, os cidadãos e os policiais, e isolarmos o bandido. Já me ensinaram anos atrás meu amigo de boas e más horas o brilhante advogado, um filósofo do Direito, Marco Antônio Meneghetti, que a origem do mal que os homens praticam vem deles próprios, do seu interior, do livre arbítrio como afirmava Santo Agostinho. E essa afirmação permanece real e presente mais de um milênio e meio após ela ser enunciada pelo filósofo da igreja. Meu intelecto nunca conseguiu aceitar a máxima do chamado politicamente correto, eufemismo usado pelos adeptos do totalitarismo marxista, de que o traficante, o assaltante, o latrocida, sejam vítimas de uma sociedade injusta que dissipou todas as oportunidades conduzindo-os por um corredor sem saídas que desemboca na criminalidade. Não. Ele se tornou o que é pelo seu livre-arbítrio. Ele fez suas contas e optou pelo ganho superior da marginalidade. Optou por mais dinheiro ainda que sujo. O marginal não é cego e não pode ignorar o suprimento estampado na face da sua vida todos os dias que está exercendo seu abominável crime. Ora dependência, ora surpresa, ora indignação, pavor, dor, agonia muitas vezes, da vasta que são assassinatos. O malfeitor despreza consciente o sofrimento que provoca. Ele fez sua escolha equivocada. Nada temos nós reunidos aqui, nós que lavoramos todos os dias pelo nosso sustento, por essa sobrevida. Quem busca o caminho da criminalidade, se assim quis, sinta então a força da polícia e o peso da lei. Que seja segregado da sociedade cujo o meio é não fazer, vejam os que me ouvem a esmagadora maioria dos brasileiros. Tomem como exemplo o feirante, o jardineiro, o pedreiro, o caminhoneiro, o balconista, o enfermeiro, e tantos outros empenhados em seu lavoro com suor brilhando em seu rosto, e a honestidade em primeira da sua consciência. Também eles exerceram seu livre arbítrio. Preferiram fruto do trabalho correto e útil ao que poderiam ganhar, e seriam muitas vezes mais, como traficante de drogas ou salteadores de banco. Poderemos aceitar a comparação e o nivelamento, e até o rebaixamento entre esses trabalhadores e os bandidos como pretende o politicamente correto? Não. Nem mesmo a convivência. Percebam os policiais algumas palavras, se não de incentivo a menos de compreensão, filho de policial que ocupou os mais diferentes postos na carreira, conheço todas as virtudes da profissão, vivi quase 20 anos dentro de casa. Contemplei os perigos que vive o policial, e os que viveu meu pai.  Senti as durezas da carreira, o salário curto, as jornadas exaustivas, e o esforço honesto para a educação dos filhos, vi o cansaço e muitas vezes o meu pai mesmo tentando. E o companheirismo da minha mãe juntando seu salário de professora ao de meu pai para que tivéssemos o mínimo de conforto e uma boa escola. Ainda criança mesmo sem compreende-la em toda extensão, sentia a pulsa de minha mãe quando a missão policial era de tal forma arriscada que poderia devolver a ela um marido morto. E falo aos policiais, corajosos e honestos, imensa maioria daqueles que vamos juntos trabalhar de agora em diante, sim, eu sei o que vocês vivem. Meus caros policiais e filhos de policiais militares, por ter sentido também, afianço a vocês que estarei do seu lado. Quando tivermos vitória, nós a comemoraremos juntos. Quando não a alcançarmos, nós nos reanimaremos, para chegar até ela na oportunidade seguinte. E até nos erros, desde que involuntários, não teremos policiais abandonados. Acataremos o que nos ditar a lei. Mas estaremos lado a lado aproveitando a lição para não voltarmos a errar. E biblicamente não atiraremos no companheiro a primeira pedra. Conclamo a todos policiais nesta tarefa de darmos mais segurança à população que ainda está nela bastante carente. O politicamente correto vem a mais de duas décadas tentando implantar em nossa mente a noção de que somos irresponsáveis e incapazes de nos defender e adotou uma política de desarmamento que tornou o marginal muito mais protegido. Descuidou de extensas áreas urbanas que se tornaram território controlados pelo crime organizado. Ao contrário do cuidado que os direitos humanos pregam, o politicamente correto permitiu que as prisões se transformassem currais de animais amontoados, e viu o crime assumir seu controle. Subestimou avisado, ou desavisadamente, o poder financeiro do tráfico e teve como resposta uma força marginal cujos poderes juntos superam em muitos lugares a força policial e curiosamente e até a pouco evitou-se o poder dos policiais em se armarem devidamente para o confronto, isso precisa ser revertido. Isso começa a ser revertido. Mas não se pode esmorecer pois ainda temos índice de criminalidade maiores do mundo. Persigamos nossas metas. Congreguemo-nos policiais e cidadãos e possamos ao final deste ano bem como os vindouros um Goiás mais seguro. Muito obrigado.

 

Irapuan governou Goiás de 1975 a 1979. Foi senador, deputado federal e prefeito de Anápolis. Também foi professor da Escola de Engenharia da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) e da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal de Goiás (UFG). Na trajetória, foi empresário do setor de construção civil, vice-presidente da Associação Brasileira de Bancos Comerciais e presidente da Associação de Bancos do Estado de Goiás. (Fonte: SSPGO).

 

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo