JUSTIÇA – É MEU ÚNICO CLAMOR, por Cel Anésio Barbosa

A Fundação Tiradentes se solidariza com o Comandante Anésio Barbosa da Cruz Júnior -Coronel PM e, assim como ele, deseja para que os seus 29 anos de luta nas áreas da educação e da segurança pública permaneçam honrados e valorosos para a corporação.

“Ontem (08) fui surpreendido por uma matéria veiculada pelo jornal “O Globo” com o título: “O Crime Compensa – Promoção após tortura – Réus na Justiça Federal, PMs de Goiás acusados de maus tratos a jovem sobem na hierarquia” (https://oglobo.globo.com/brasil/reus-na-justica-federal-pms-de-goias-acusados-de-maus-tratos-jovem-sobem-na-hierarquia-22264108).

Hoje (09), para meu espanto e total desagrado, fui novamente surpreendido por uma reportagem no “Jornal Nacional”, repercutindo tal matéria de forma igualmente injusta e pejorativa.

Foi muito impactante assistir reportagem tão sórdida. Contudo, quero esclarecer que o que me surpreendeu não foi a veiculação da notícia em si, mas sim a clara intensão de desmerecer minha ascensão na carreira dentro da Polícia Militar e me desqualificar enquanto profissional.

Ao longo da minha história na Milícia Anhanguera enfrentei inúmeros desafios pessoais e profissionais, como todos aqueles que se dispõem a realizar o serviço de polícia ostensiva e juram defender a sociedade, mesmo com o risco da própria vida.

Estranhamente, de todas as dificuldades enfrentadas até aqui, a que mais me aflige e preocupa é o tratamento desrespeitoso e preconceituoso oferecido por segmentos da mídia na cobertura de ocorrências e operações policiais, ou em qualquer notícia que envolva um Militar.

Já assisti inúmeros apedrejamentos midiáticos de policiais militares e sempre fiz questão de registrar minha indignação e sair em defesa daqueles que sabia injustiçados. E não é difícil perceber que em qualquer notícia veiculada que tenha como protagonista um Policial Militar a regra é a manifestação (explícita ou implícita) de suspeitas acerca da legalidade, da legitimidade ou da proporcionalidade da ação desencadeada. Infelizmente, alguns órgãos de mídia fazem questão de noticiar como regra aquilo que é exceção. Generalizam o que devia ser individualizado e subvertem os verdadeiros propósitos da livre imprensa e, assim, fazem apenas confundir ao invés de informar. Exemplo claro dessa subversão é tratamento oferecido ao projeto Colégio Estadual da Polícia Militar que mesmo tendo propósitos nobilíssimos e uma aceitação gigantesca da comunidade, é atacado e achincalhado com frequência por órgão de imprensa.

É isso que vimos atualmente no Brasil: em nome da audiência (ou de “sei lá o quê”) fazem questão de enlamear autoridades constituídas, chegando ao ponto absurdo em que todos os servidores públicos são tidos como incompetentes, preguiçosos ou corruptos. Denúncias e insinuações, por vezes levianas e infundadas, se transformam em verdades insofismáveis, provocando a inversão do ônus da prova e levando constrangimento e prejuízos materiais e morais irreparáveis aos acusados que, mesmo inocentes, se veem humilhados e comem “o pão que o diabo amassou”, tendo sua imagem associada à violência e a criminalidade pelo simples fato de serem militares.

Hoje, com essa reportagem e a minha imagem veiculada em “Rede Nacional”, me senti enxovalhado! Não tenho qualquer receio em relação ao processo que respondo na Justiça. Sei que minha inocência será devidamente comprovada em juízo. Também sei que não sou o primeiro nem serei o último policial a ser vítima de tamanha injustiça e a sufocar este sentimento de dor é impotência. Todavia, o que mais me doí é ver que meus 29 anos de luta nas áreas da educação e da segurança pública, sempre promovendo a imagem da Polícia Militar como o órgão mais presente, mais atuante e mais efetivo na defesa dos Direitos Humanos e da cidadania, ficarem obscurecidos pela forma como o meu nome foi exposto nesta matéria que, mesmo endossando uma acusação totalmente injusta e descabida, será recebida como verdade sabida pela opinião pública.

Sinto-me indignado pois neste momento a verdade dos fatos é o que menos interessa. O importante agora é denegrir a minha imagem, é desmerecer o trabalho que venho realizando à frente do Comando de Ensino Policial Militar, especialmente à frente do Projeto Colégio Estadual da Polícia Militar e, com uma sanha devastadora, escandalizar e fazer repercutir uma notícia subvertida, divorciada da verdade e que deslavadamente escamoteia interesses espúrios.

A qualquer cidadão é assegurado o direito constitucional de presunção da inocência. O direito de não ser considerado culpado até trânsito em julgado de sentença penal condenatória. E hoje gostaria que meus anos de dedicação ao serviço de polícia ostensiva fossem solenemente esquecidos e queria ser detentor apenas dos direitos reservados a qualquer criminoso, pois o que mais me revolta é perceber que “O Globo” e “Jornal Nacional”, sem qualquer cerimônia ou apego à legalidade, negaram a mim e aos demais policiais militares envolvidos neste fatídico episódio a condição de seres humanos e de cidadãos.

Certamente para “O Globo” e para o “Jornal Nacional” nós, policiais militares, não somos seres humanos detentores de direitos. Mas asseguro que serei implacável na busca pela reparação dos danos que me foram causados.  Parafraseando Euclides da Cunha: “o Policial Militar é, antes de tudo, um forte”. E não vai ser este ataque vil e covarde que me fará esmorecer.

Sou um Soldado e isso me obriga a ser forte. Meu compromisso com a sociedade e minha motivação se renovam a cada raiar do dia, independentemente do meu esforço e qualificações serem reconhecidas ou não pelos que me cercam.

Por fim, mesmo distante da serenidade e santidade da Madre Tereza de Calcutá, sou plenamente capaz de entender que o que faço não precisa necessariamente ser percebido pelos outros, pois ao final das contas nunca foi entre eu e os outros, sei que é tudo entre eu e Deus.

Hoje está chovendo, mas amanhã o sol vai voltar a brilhar!

Anésio Barbosa da Cruz Júnior -Coronel PM
Comandante de Ensino Policial Militar

 

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